Difícil não destacar o pensamento de um brasileiro que é manchete da edição deste mês (Abril) da revista História como o IMORTAL EM DOBRO. José Mindlin foi o autor da frase que dá o título a esta coluna e foi apontado pela revista como IMORTAL EM DOBRO por ser membro da Academia Paulista de Letras e da Academia Brasileira de Letras.A vida profissional começou prematura para este voraz leitor. Aos 15 anos, como jornalista de O Estado de S. Paulo participou da Revolução de 30. Em 1932 ingressava na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Anos mais tarde montou a fabrica de peças automotivas Metal Leve.
Na frase em destaque Mindlin responde ao repórter da revista como fazia para obter vistos para os judeus na época da Segunda Guerra Mundial. "Na época da guerra, diante do antisemitismo, em nome da solidariedade e da dignidade, procurei ajudar na obtenção de vistos para os judeus europeus, notadamente alemães. Nessa época foi criada a CIP, Congregação Israelita Paulista, justamente para dar apoio aos refugiados. Eu ainda guardo um documento do Itamarati informando: "está vedada a entrada de indivíduos de origem étnica israelita". Infelizmente, não consegui esses vistos. Mas, no caso dos que aqui chegaram com visto de turista, foi tudo fácil no Ministério da Justiça. Transformarmos esses vistos em permanentes. Dá para entender o Brasil? Afinal, o Brasil é um acidente de percurso ou um percurso de acidentes?".
Jovem aos seus 93 anos, Mindlin é dono da maior biblioteca particular do Brasil, com cerca de 50 mil livros. Já leu mais de 6 mil livros e gostaria de viver mais 300 anos para poder ler todo o seu acervo.
Dá para entender o Brasil? Frase esta que poderiamos utilizar com uma freqüência maior já que em muitos casos, e principalmente na política, é quase um "me engana que eu gosto". Afinal, o Brasil é um acidente de percurso ou um percurso de acidentes? Para que servem as Comissões Parlamentares de Inquérito (C.P.I.) se não para servir de holofotes a deputados e senadores? Que resultado prático alguma destas C.P.I.s promoveu de fato?
Ganha um doce quem apontar uma C.P.I. que não tenha acabado em pizza. Vale pensar, consultar o google, perguntar aos universitários (pode não adiantar já que muitos não gostam de ler), ou até mesmo ao brilhante José Mindlin. Resposta esta que não encontraríamos em nenhum dos 50 mil títulos guardados na biblioteca do senhor Mindlin.
Contribuidor voluntário: Walter Kufky - obrigado pela indicação da matéria.
Contribuição involuntária: Revista História - Recomendo a leitura desta revista. Melhor a cada edição.

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